• Mariane Lima

Personagem, enredo e conflito

Personagem, enredo e conflito: essa é a trinca do romance, os três pilares que fazem a história se desenrolar.


A personagem, como já vimos, deve ser o mais humana possível e, para isso, deve ter uma questão essencial. O enredo se desenvolve quando essa questão essencial da personagem entra em conflito com os fatos da vida.


O conflito é o que move a história e é o que faz com que o leitor se interesse pelo seu texto. “Sem conflito, não há romance”, mas é necessário entender o conflito como uma abstração, não como um embate ou uma luta entre dois. “Conflito é uma expressão genérica das tensões do ser humano”. Ainda que a história possa ter personagens contra os quais o seu protagonista tenha embates, quanto mais abstrato o conflito, mais você vai ter a atenção do leitores. Quanto mais universal, mais o leitor vai conseguir se identificar com os problemas da sua personagem, ainda que o enredo se dê em um tempo e espaço definidos que podem ser muito diferentes daqueles em que o leitor vive.


A questão essencial vai determinar como o protagonista (ou determinada personagem) reage aos estímulos ao seu redor, como ela se relaciona com o enredo. O enredo, por sua vez, deve ser entendido como o sistema no qual todos os elementos interagem. Tudo que é colocado no enredo deve funcionar em relação aos outros elementos desse sistema.


Quando você introduz uma personagem nova, o leitor espera que essa personagem desempenhe algum papel na história. Da mesma forma, os acontecimentos não devem surgir do nada, devem ser frutos dos eventos passados. Ou como brinca o professor Assis Brasil, "se uma personagem vai morrer de câncer no último capítulo, devemos ver uma tosse lá no terceiro". Na narrativa de ficção, seja romance ou conto, tudo deve se fechar, um episódio completa o outro. Por isso, pense em personagens, enredo e conflito como um sistema.


Esse texto foi escrito com base na aula do professor Assis Brasil no curso da Quadro Amarelo.

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