• Mariane Lima

Linguagem e significado na Escrita Criativa

“Literatura é linguagem carregada de significado. E grande literatura é simplesmente linguagem carregada de significado no seu grau máximo possível.” Ezra Pound - ABC da literatura

Muitos escritores, quando estão começando, tendem a achar que devem escrever o máximo possível, como se estivessem sendo pagos por palavras, ou ainda, como se escrever fosse descrever detalhadamente cada elemento em volta do personagem principal.


Para além das descrições, literatura, ou, pelo menos, a boa literatura na visão de Ezra Pound, deve ser concisa, formada de escolhas conscientes e ter uma linguagem clara. “O bom escritor é aquele que mantém a linguagem eficiente” com precisão e clareza, que ajuda ao leitor a acompanhar as ideias. Para isso é necessário atentar-se para a economia narrativa, ou seja, escrever apenas o que é necessário para contar bem a história. Sem excessos, seja em palavras ou no uso da linguagem.


Ao escolher um foco narrativo, uma situação e até mesmo as palavras que compõe o texto, o escritor deve ter sempre em mente a finalidade de cada um desses elementos. Escrever literatura com compromisso narrativo é responder inúmeras vezes “por quê?”.


  • Por que escrever?

  • Por que contar uma determinada história?

  • Por que fazer esse recorte e não outro?

  • Por que uma cena vai fazer parte da história?

  • Por que usar essas palavras e não outras?


A consciência da intenção do autor com cada palavra ou ação do texto ajuda a carregar a linguagem literária de significados, pois garante que tudo o que vai para a sua narrativa esta lá por um motivo: para servir a história.


Uma linguagem eficiente também pressupõe clareza, ou seja, não se deve buscar trapacear o leitor com linguagem excessivamente rebuscada, caindo no erro do maneirismo. Como Ezra diz, se deve combater a “linguagem nebulosa dos trapaceiros”. Esta serve apenas a motivos temporários de enganar o leitor, tirando das palavras a carga de significados uma vez que se coloca a forma acima da história.


Melhor, como já dizia Aristóteles, usar palavras de uso corrente, para não deixar a leitura nebulosa. O segredo para carregar de significados o seu texto é descrever ideias complexas com palavras simples.

Texto inspirado nas aulas de Estrutura e Linguagem do curso da Quadro Amarelo. Já conhece o curso? Clique aqui para saber mais!

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