Focalização: quem conta a história e por quê?


Talvez você tenha lido sobre focalização com outros nomes como foco narrativo ou narrador, mas aqui vamos usar o termo do professor Assis Brasil, para falar sobre o que, segundo ele, os escritores precisam saber sobre o assunto.


Assis nos diz que são três as possibilidades de focalização: interior, exterior e onisciente.


Focalização interior é quando se narra a história a partir do ponto de vista de um personagem tendo acesso aos pensamentos e sentimentos desse. Pode ser em primeira ou em terceira pessoa. É o foco da autoficção, em que personagem narra sua história e não sabemos se trata ou não de uma história real do escritor. Também pode ser interessante em livros policiais, ou que queiram manter certo mistério. Segundo o professor Assis, os leitores de hoje querem ir descobrindo a história junto com os personagens.


Focalização exterior é quando contamos a história apenas através das ações externas, sem sabermos o que se passa na mente dos personagens. Alguns autores vão chamar esse estilo de narrador-câmera fazendo a relação com a câmera do cinema, que nos mostra as ações e reações dos personagens, de onde podemos inferir suas emoções, mas sem ter acesso a elas. Nos roteiros de cinema não temos acesso ao interior dos personagens da mesma forma que na literatura. Isso acontece geralmente quando eles contam, em diálogos com outros personagens, consigo mesmos ou com o expectador, quebrando a quarta parede.


Onisciente é aquele narrador que sabe de tudo, sobre todos os personagens. Ele sabe inclusive sobre o futuro da história. Nesse foco narrativo temos acesso aos pensamentos dos personagens bem como a coisas que nem eles sabem ainda. Por saber demais, não é o mais indicado para certos tipos de narrtiva, como romances policiais, por exemplo.


Ao escolher a focalização, tenha em mente o que a sua história quer contar, quais as sensações que você quer causar no leitor. Se ele deve, por exemplo, se identificar com determinado personagem, é natural que o narrador foque neste personagem tendo acesso aos seus sentimentos, seja na primeira ou terceira pessoa. Contos curtos podem ter focalização exterior, já em novelas ou romances é mais difícil manter esse foco. Saber quem narra a sua história é importante para saber o que e quando narrar os acontecimentos.


Esse texto foi escrito com base na aula do professor Assis Brasil no curso da Quadro Amarelo.

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