• Mariane Lima

Design da escrita: para quem e para que você escreve?

Segundo os guias de roteiro como Story do Robert Mckee, o tipo de história que mais vende, que é mais popular, e que tem mais chances de tornar você um autor visto e lido por mais gente, é a de Design Clássico. Caso você não lembre, o Design Clássico é aquele da arquitrama, com final fechado, tempo linear, um personagem protagonista único que lida com um conflito externo, de maneira ativa em uma realidade que lembra a nossa. Falamos mais disso no texto sobre os tipos de tramas. É o tipo de história que mais vemos nos filmes de hollywood.


Mas isso quer dizer que você deve escrever histórias seguindo a risca essas formas consagradas?


A popularidade de diferentes “formatos de história”, segundo o professor Jéferson Assumção tem a ver com o contexto do leitor. Níveis de alfabetização, desenvolvimento, relação das pessoas na sociedade influenciam no tipo de livros que as pessoas consomem. Quando as discussões na sociedade são mais abstratas, os filmes, livros e culturas também vão tratar temas de maneira mais abstrata, com construções filosóficas mais complexas.


No Brasil, tende-se a consumir mais textos dentro desse design clássico. No entanto, prender-se a fórmulas pode ser uma armadilha, uma vez que o escritor é também um agente de mudança cultural. É importante entender de onde escrevemos, para quem escrevemos, como o nosso público se relaciona com o mundo a sua volta e buscar, na literatura, no cinema e nas artes como um todo, formas de expandir essa relação. E ai entra a última pergunta: para que escrevemos? Que sensações queremos causar, que reflexões queremos levantar? O que o nosso leitor deve levar consigo após a leitura? Nossa escrita pode ser uma forma de elevar o debate, de trazer novos questionamentos a tona, de abordar questões complexas de maneira que chegue a um grande público.


É importante conhecer as formas e as fórmulas para conseguir fazer isso de maneira efetiva na nossa literatura.


Esse texto foi escrito com base na aula do professor Jéferson Assumção no curso da Quadro Amarelo.

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