• Mariane Lima

Conflito interno x Conflito externo

Se você leu o texto anterior sobre conflito, sabe que, segundo o professor Assis Brasil, histórias duradouras tem conflitos universais e abstratos. Ainda assim, existe uma divisão didática na qual faz sentido pensar na hora de escrever a sua novela ou romance. Isso porque ela tem a ver com a forma como o enredo vai se desenvolver, bem como a linguagem.


É a separação entre conflito interno e externo, eu versus eu ou eu versus o outro. E nesse contexto outro pode ser um personagem, um grupo, ou até mesmo a natureza. Essa separação tem mais a ver com a forma como o conflito se materializa na história do que com a natureza do conflito em si, uma vez que, este, como sabemos se dá quando a questão essencial do personagem se choca com os fatos da vida. E ainda que seu texto possa ter personagens que se oponham ao protagonista, lembre-se que o conflito é maior, universal e mais complexo, não deve ser apenas a luta entre mocinho e bandido. Inclusive porque ninguém é completamente bom ou ruim. Ninguém é completamente corrupto ou incorruptível. Os personagens, para serem mais humanos, também devem apresentar características diversas, fugindo de maniqueísmos.


Conflitos externos são geralmente presentes em arquitramas. Aquela narrativa em que um personagem central busca atingir seus objetivos agindo em um universo consistente. Segundo Robert Mckee, autor que faz essa separação, a maior parte das histórias que vemos ou lemos segue esse que ele vai chamar de design clássico.

Já o design minimalista trabalha com minitramas, em que o autor corta os excessos focando na personagem e em seus conflitos internos. Aqui temos personagens passivas perante os acontecimentos, e um final que não é necessariamente fechado, ou seja, não responde todas as perguntas levantadas na narrativa.


Veja que um mesmo conflito pode se materializar de diversas formas tendendo mais para este ou aquele tipo de trama. Por exemplo, a sobrevivência em um ambiente inóspito como o espaço pode dar origem a um filme como O marciano que tem um protagonista ativo que supera diferentes obstáculos para conquistar seu objetivo, sobreviver e voltar a terra; ou ter uma abordagem muito mais minimalista como Gravidade em que Sandra Bullock tem que lidar com a sua solidão fragilidade e culpa enquanto tenta sobreviver ao que acontece com ela.


Definir a abordagem que você vai dar para o conflito da sua história, a forma como a questão essencial da personagem vai se materializar diante das circunstâncias, vai te ajudar a dar o tom da narrativa e influenciar escolhas de linguagem, narrador, velocidade da história e assim por diante.


Se você já é aluno da Quadro Amarelo, recomendamos assistir ou reassistir a aula especial sobre conflito que está no Módulo Extra, em que o professor Assis Brasil aborda esse tema.


Se você ainda não é aluno, aproveite para se inscrever! No curso da Quadro Amarelo, você tem uma formação completa que aprofunda os temas gradativamente e te deixa mais preparado para escrever textos que todos vão querer ler.

Conheça o curso!

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Uma questão de talento

Você já se pegou se perguntando se você tem mesmo talento para a escrita? Se é isso que você deve fazer? Se vale a pena investir tanto tempo na sua formação como escritor, seja para construir uma carr

Espaço e descrição

Pensamos nos personagens, nas suas questões essenciais, no conflito, no narrador, mas e o espaço onde as ações se desenvolvem? O espaço assim como os outros elementos citados é parte da narrativa e de

Tempo para escrever

Essa é uma constante na vida de quem não se sustenta com escrita, a maior parte de nós mortais. Entre tantas tarefas do dia a dia e trabalho, não sobra tempo para escrever. E o problema está aí mesmo: