• Mariane Lima

Arquitramas, minitramas e antitramas

A arquitrama é o que estamos acostumados em termos de história. É a trama de um protagonista, ativo, dono do seu destino, cuja história se desenvolve por causa e efeito em uma realidade consistente. O conflito é geralmente externo: eu versus a sociedade, eu versus o outro. A maior parte das histórias que a gente acompanha segue esse design, o clássico. Uma trama linear em três atos, um personagem que tem um objetivo e passa por várias provas para alcançá-lo, ou não. 


Arquitramas, minitramas e antitramas

No entanto, novas descobertas trazem novas visões de mundo. Hoje, mais do que nunca, sabemos que nossos planos, por melhores que sejam podem ser interrompidos pelo acaso. Aposto que você não imaginava em janeiro tudo o que estaria por vir nesse ano. Tínhamos outros planos, mas todos tivemos que nos adaptar, pois somos todos frutos das nossas circunstâncias. A vacina que nos permitiria voltar à normalidade não está nas nossas mãos. Somos muito os protagonistas dessa história e não temos uma resolução a vista, pois ela não depende diretamente da maior parte de nós. Esse cenário é perfeito para as minitramas: somos muitos protagonistas e estamos de mãos atadas, passivos diante de um inimigo que não se combate, nossos conflitos são mais internos que externos e não há resolução a vista. As minitramas imitam a vida no que ela tem de mais real: a causalidade é substituida pela coincidência, o protagonista vive com os outros e com as circunstâncias e já não é dono do destino, não age sozinho, mas com os outros e com os acontecimentos. A antitrama, como o termo já sugere, se aproxima mais do surrealismo, negando a trama. A realidade não precisa ser consistente, o tempo não precisa ser linear e as coincidências organizam a ação. É importante conhecer os tipos de trama, mas não precisamos nos prender. Entre as três pontas desse triângulo, há um mundo de possibilidades e formas de narrar, que pode transformar a sua história em uma mensagem mais potente. A arquitrama talvez nos seja a mais familiar, mas incluir elementos das minitramas e antitramas dá outras dimensões as nossas narrativas. 


Texto inspirado na aula Arquitramas, minitramas e antitramas do professor Jéferson Assumção na Quadro Amarelo. Clique aqui para saber mais sobre o curso.

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