• Mariane Lima

Essa é uma constante na vida de quem não se sustenta com escrita, a maior parte de nós mortais. Entre tantas tarefas do dia a dia e trabalho, não sobra tempo para escrever.


E o problema está aí mesmo: SOBRAR tempo. Você não espera sobrar tempo para dormir, sobrar tempo para comer, sobrar tempo para o trabalho que te dá sustento. Enquanto você, escritor, pensar na escrita como um adendo, não uma prioridade, nunca vai sobrar tempo mesmo.


Você não deve deixar de dormir ou se alimentar de forma saudável para escrever, claro que não. O que eu sugiro é que você coloque escrever entre as suas prioridades, junto com os outros hábitos saudáveis e coisas que você realmente precisa fazer.


E seja razoável com você mesmo. Talvez querer tirar duas horas diárias seja impraticável para você, porque temos vida, família, trabalho, filhos e sim, um tempo de lazer no qual você talvez queira se dedicar a outra atividade prazerosa e mais livre do que a escrita. Duas horas semanais, no entanto, me parece razoável para a maioria das pessoas. É um filme na Netflix que você deixa de assistir, 15 minutos diários que você deixa de ficar passivamente assistindo à vida alheia no Instagram, etc.


Se você conseguir “criar” alguns minutos do seu dia todos os dias, já dá para começar a ter uma rotina de escrita que te ajude a escrever mais e melhor. De preferência crie uma rotina, um hábito de escrever todos os sábados, por exemplo.


Se escrever é importante para você, se você quer publicar um livro, ter seus textos lidos na internet, participar de concursos literários e muito mais, você vai precisar incorporar a escrita na sua vida, como uma prioridade, e não esperar que ano que vem, quando a pandemia passar, quando seus filhos estiverem maiores você tenha tempo para se dedicar a escrita.


E o mesmo vale para estudar escrita criativa, viu?!

Se ser escritor é prioridade para você se programe para conseguir estudar escrita criativa, revisar seus textos, participar de grupos de escrita.


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  • Mariane Lima

Se você leu o texto anterior sobre conflito, sabe que, segundo o professor Assis Brasil, histórias duradouras tem conflitos universais e abstratos. Ainda assim, existe uma divisão didática na qual faz sentido pensar na hora de escrever a sua novela ou romance. Isso porque ela tem a ver com a forma como o enredo vai se desenvolver, bem como a linguagem.


É a separação entre conflito interno e externo, eu versus eu ou eu versus o outro. E nesse contexto outro pode ser um personagem, um grupo, ou até mesmo a natureza. Essa separação tem mais a ver com a forma como o conflito se materializa na história do que com a natureza do conflito em si, uma vez que, este, como sabemos se dá quando a questão essencial do personagem se choca com os fatos da vida. E ainda que seu texto possa ter personagens que se oponham ao protagonista, lembre-se que o conflito é maior, universal e mais complexo, não deve ser apenas a luta entre mocinho e bandido. Inclusive porque ninguém é completamente bom ou ruim. Ninguém é completamente corrupto ou incorruptível. Os personagens, para serem mais humanos, também devem apresentar características diversas, fugindo de maniqueísmos.


Conflitos externos são geralmente presentes em arquitramas. Aquela narrativa em que um personagem central busca atingir seus objetivos agindo em um universo consistente. Segundo Robert Mckee, autor que faz essa separação, a maior parte das histórias que vemos ou lemos segue esse que ele vai chamar de design clássico.

Já o design minimalista trabalha com minitramas, em que o autor corta os excessos focando na personagem e em seus conflitos internos. Aqui temos personagens passivas perante os acontecimentos, e um final que não é necessariamente fechado, ou seja, não responde todas as perguntas levantadas na narrativa.


Veja que um mesmo conflito pode se materializar de diversas formas tendendo mais para este ou aquele tipo de trama. Por exemplo, a sobrevivência em um ambiente inóspito como o espaço pode dar origem a um filme como O marciano que tem um protagonista ativo que supera diferentes obstáculos para conquistar seu objetivo, sobreviver e voltar a terra; ou ter uma abordagem muito mais minimalista como Gravidade em que Sandra Bullock tem que lidar com a sua solidão fragilidade e culpa enquanto tenta sobreviver ao que acontece com ela.


Definir a abordagem que você vai dar para o conflito da sua história, a forma como a questão essencial da personagem vai se materializar diante das circunstâncias, vai te ajudar a dar o tom da narrativa e influenciar escolhas de linguagem, narrador, velocidade da história e assim por diante.


Se você já é aluno da Quadro Amarelo, recomendamos assistir ou reassistir a aula especial sobre conflito que está no Módulo Extra, em que o professor Assis Brasil aborda esse tema.


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  • Mariane Lima

Talvez você já esteja até cansado de ouvir a palavra conflito uma vez que ela figura toda discussão sobre narrativa. Isso porque o conflito é o que faz o leitor se interessar pela história e é o que nos faz querer contá-la.


Como ficcionistas, temos o compromisso de criar um conflito pela simples razão de que o leitor espera isso do livro que abriu.

A simplificação mais básica da ficção é: contamos uma história sobre alguém (um personagem), em um lugar (espaço e tempo), vivendo um conflito. Ou seja, contamos como um personagem, dentro daquele universo em que vive busca um objetivo que ele vai alcançar ou não no desfecho.


Mas não precisamos pensar no conflito como um embate entre dois personagens ou um fato em si. Os fatos, segundo o professor Assis Brasil, são a materialização do conflito e vão assumir as peculiaridades daquele tempo e espaço onde a narrativa se dá.


O conflito por sua vez é, ou deveria ser, universal. É isto que dá profundidade ao texto. Quanto mais universal for o conflito, mais teremos a atenção do nosso leitor, pois mais ele vai se vai identificar com a história e mais duradoura será, para ele, a experiência da leitura.


Por outro lado, conflitos frívolos e passageiros darão origem a textos frívolos e passageiros. Da mesma forma, quando explicitamos o conflito, na fala de um personagem ou pela própria boca do narrado, tiramos do leitor a experiência de co-criação, aquela sensação de que ele descobriu o x da questão e, portanto a reflexão interna dele. O conflito pode e deve se expressar de uma forma abstrata, mais sutil.


O conflito, nesta visão, é o que muitos chamam de tema da história, o assunto maior que a história aborda, universal, humano e que traz reflexão.


Vale lembrar que, como já abordamos neste texto, o conflito não é algo de fora, que nós aplicamos na história para gerar interesse ao leitor, mas surge do embate entre a questão essencial da personagem e seu entorno. Vemos assim também a questão da transformação, não da personagem em si, mas a mudança de atitude da personagem em relação ao conflito.


Por último, na aula live especial sobre conflito, o professor Assis Brasil levantou um questionamento importante: quando se diz que o escritor está sempre escrevendo a mesma história é porque ele está, na verdade, tratando sempre do mesmo conflito, esse tema universal que o incomoda, o move e guia a sua escrita. Você sabe qual o conflito das suas histórias?

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